quinta-feira, 19 de dezembro de 2024

CHUVA ENCHARCADA

 Quando a chuva encharcada vem,

A impressão que se tem, 

É que a vida fica em suspensão. 

Uns esperam a chuva passar.

Outros espiam para ver o que será.

Alguns se movimentam para se resguardar.

E há os que entre as poças se põem a brincar.

Mas outros precisam enxugar.

Enxugar a água que na casa entrou,

Os objetos que a chuva molhou. 

Ou enxugar as lágrimas, 

Pelo que a enxurrada levou, 

Ou o que desabou.


SOLIDÃO CANSADA

Sinto uma solidão cansada, entediada.
Mas o que é essa solidão?
É presença de ausência?
Ausência de abraços, de toques, olhares, palavras, escutas... 
Ausências?
Seria o que falta ou a falta do que poderia ser e existir? 
Mas como sentir ausência do que não existe? 
Seria pelas lembranças do que um dia já foi? 
É uma solidão cansada.
Mas é também um cansaço de sentir solidão,
De sentir ausências.
De esperar pelo que pode ser ou
Pela saudade do que já foi 
E que não mais será. 

terça-feira, 10 de dezembro de 2024

LUGAR DE ENCANTO

 Era uma vez um lugar encantado,

Onde as pessoas descobriam o mundo,

Onde a convivência era a principal ciência

E a alegria a grande magia.

Nesse lugar as crianças brincavam e aprendiam.

E haviam mestres, que tudo sabiam.

Era uma vez um lugar de encanto,

Onde eu feliz, encontrei meu canto.

Escola é como chamam este lugar

Onde aprendo a ler, escrever, contar e amar.

Claudia Conte

Leopoldina, 08/12/2023

terça-feira, 29 de dezembro de 2020

Retrospectiva e Expectativas

No ano que se finda, retrospectiva sofrida, doída 

No ano que inicia, necessidade de esperançar, de acreditar 

Sem sabermos ao certo o que virá

Muitas despedidas e poucas expectativas

Muita necessidade de esperançar, de acreditar

Querer dias melhores, com mais união e compreensão

Querer empatia, sororidade e compaixão

Necessidade de Esperançar, de acreditar

Não será suficiente entrar só com o pé direito 

No novo ano precisaremos do corpo inteiro

Precisamos esperançar e acreditar

quinta-feira, 8 de novembro de 2018

SINTO DORES


Sinto dores,
São dores que me chegam como ecos reverberando em minha pele, em minhas entranhas, em meus pensamentos, em meu coração...

Sinto dores,
Que minhas não são, mas ao mesmo tempo, são.

Sinto dores,
Que vem dos que viveram as dores do ultraje, da violação dos corpos, da humilhação, do rechaço, da dominação... que também minhas dores são.

Sinto dores,
Que vem da injustiça, do esquecimento, do desconhecimento, do ser renegado, ao silêncio, aos porões da história, ao nada... que também minhas dores são.

Sinto dores,
Que vem dos torturados, dos amordaçados, espancados, mutilados, fisicamente e mentalmente... que também minhas dores são.

Sinto dores,
Que vem dos que perderam filhos, filhas, irmãos, irmãs, pais, mães, amigos, amigas, maridos, esposas, companheiros, companheiras e a si mesmo... que também minhas dores são.

Sinto dores,
Que vem pelos corpos não encontrados, pelos corpos não velados, pelos corpos não sepultados junto aos seus... que também minhas dores são.

Sinto dores,
Que vem do descaso, pelo fracasso de tantos que não conseguiram mais falar, gritar, cantar, amar, gozar, andar, nadar, voar... que também minhas dores são.

Sinto dores,
Pelos que insistem em aniquilar a nossa memória, tentando apagar as páginas dos livros de nossa história.


Claudia Conte
Leopoldina, 08/11/2018

terça-feira, 26 de junho de 2018

VOANDO...

O Tempo nos faculta certa leveza no ser
Viver a maturidade é viver sem amarras
Sem reservas no nosso fazer

Pelos anos vividos justificamos nossos feitos
que nos rendem muitas histórias pra contar
Sem falsas modéstias ou despeitos

Quando a metade de um século se passa em nós 
É quase como um renascer
Nas asas soltas e vibrantes de um albatroz 

Claudia Conte
Leopoldina, 26/06/2018

segunda-feira, 18 de junho de 2018

O VENTO E O TEMPO

Quanto mais o vento sopra
Mais a tua ausência me sufoca
Quanto mais o vento assobia
Mais a tua ausência me esfria

Há sempre um lado sombrio no vento
Como há sempre uma certa angústia no tempo
Há de termos uma enorme paciência
Pois há momentos em que o tempo não passa
Outros em que o tempo nos escapa
Com o tempo contamos nossa existência
E é o tempo o limite da nossa consciência
Por isso, aprendi a admirar o vento
Ele se impõe de forma inigualável
Como quem busca romper barreiras
Abrir fronteiras
E atingir o intocável
O vento é rebelde, desafiador
Forte e as vezes avassalador
O que não difere muito do amor
As vezes penso que o vento quer brincar com o tempo
Mostrando a ele que o vento pode correr
contra o tempo
Outras vezes, parece que o tempo fez do vento
seu prisioneiro
Que o vento roda, se debate mas, não sai do
lugar aonde está

Quero que o meu amor seja emocionante e
forte como o vento
Mas não quero este amor prisioneiro do tempo
Quero te amar com toda a intensidade do vento
Não como um furacão passageiro
Mas com um amor infinitamente verdadeiro
Um amor companheiro que transcende o tempo
Quero te amar neste tempo, em outro tempo 
E além de qualquer tempo
Quero ser sua brisa nas manhãs
Ser uma leve aragem à tarde
E à noite, ser um forte vento
Uma invasora ventania, um tufão,
um furacão
E estar para sempre, em todos os tempos
No seu coração.

Claudia Conte
Leopoldina, 08/01/2001

SAUDADE NUA

SINTO SAUDADES TUAS
SINTO SAUDADES NUAS
NÃO SÃO SAUDADES CRUAS
É SAUDADE COMPLETA
PORQUE ELA É REPLETA
DE UM SENTIMENTO INTEIRO
PURAMENTE VERDADEIRO
QUE SINTO POR VOCÊ
É SAUDADE NUA
PORQUE ME DESPE DE QUALQUER PUDOR
E ME ARRANCA TODAS AS VESTES COM FUROR
ME DESPE O CORPO E A ALMA
ME DEIXA NUA
ME DENUNCIA
E ANUNCIA
QUE SOU SUA
NUA
SUA
NUA
SUA
SAUDADE NUA
SAUDADE SUA
NUA
SUA

Claudia Conte
Leopoldina, 14/02/2001

PENSO

Estou só,
Estou triste,
Estou embriagada nos devaneios dos meus mil pensamentos.
Pensamentos que se cruzam uns com os outros,
Que me atordoam,
Pensamentos que me levam a lugares e momentos distantes,
Que me desligam do presente,
Que fazem minha mente oca, vazia.
Pensamentos que me trazem a realidade.
E que divagam em fantasia,
Pensamentos que viajam em possibilidades.
Tudo pode ser na verdade,
A ausência total de pensamento,
Que me deixa nessa completa apatia,
Nesse marasmo filosófico e ideológico,
Nessa prostração física,
Que induz a estagnação dos movimentos corporais.
Mas tudo pode ser fruto,
Consequência natural,
De muitos e muitos pensamentos...

Claudia Conte
Leopoldina, 18/01/1997
15:00

ROTINA

Foi por algum motivo não sei qual,
Que naquele dia tudo me pareceu sempre igual.
Não havia meios de fazer ficar diferente,
Por mais que eu tentasse ser eloquente.
Não sabia ao certo se fazia ou se deixava de fazer,
Mesmo que eu estivesse completamente sem entender.
Mas foi no momento maior da dúvida decorrente,
Que eu desatei e me desprendi das correntes.
Não fosse por julgar a minha incredulidade,
Eu diria que naquele momento encontrei a verdade.
Mas tenho consciência que a busca não termina,
E que a vida, mesmo à quem a abomina,
É sempre uma nova rotina.

Claudia Conte
Leopoldina, 14/04/1997
10:30

VONTADE DE PRAZER

E naquele dia, dediquei-me com calma e zelo a mim mesma.
preparei cuidadosamente cada parte do meu corpo para "ele".
Tomei um longo banho, usei óleos aromáticos, a pele ficou macia...
Lavei com paciência os cabelos e escolhi como perfume a fragrância mais suave e atraente.
            Escolhi uma roupa em que me sentisse confortável,
            Combinei bem as cores e acessórios,
            Por fim realcei e umedeci meus lábios com a combinação de dois batons,
            Que reproduziram uma cor gostosa e atraente.
E quando me senti pronta
Todo o meu corpo pulsou
Na ânsia de estar diante dele
                                        e amá-lo mais uma vez.
E naquele dia, preparei cuidadosamente
Cada parte do meu corpo para ele
                                        e ele não veio...

Claudia Conte
Leopoldina, 06/06/1996

RIMAS

As vezes não sei o que faço,
As vezes não sei o que traço,
As vezes não sei o que trago,
As vezes não sei a que escapo.
                               Quero sair mas, fico.
                               Quero chorar... me intrigo.
                               Quero gritar... me inibo.
                               Ah!... a minha Libido!!...
Rimas são sempre rimas.
É fácil jogar e brincar com as palavras.
       Mas, e a vida  a ser vivida,
                              a ser esculpida,
                   a vida a ser engolida,
                              a ser cuspida,
                   a vida a ser despida,
                              a ser doída,
                   a vida a ser abolida?
 A vida por ser sortida,
A todos cativa, em sua imensa diversidade,
Nua e crua em toda as suas verdades.
                                Renovada na maternidade,
                               Compartilhada na fraternidade,
                               Espiritualizada na Cristandade,
                               Fragilizada na mortalidade,
                               Estereotipada na criminalidade,
                               Amedrontada na crueldade,
                               Marcada na austeridade,
                               Imaculada na bondade.
Quero amar com toda a minha intensidade,
Quero meu corpo sempre pulsando de prazer.
                    Prazer em amar,
                   prazer em orar, em contemplar
                    em abraçar, em beijar,
                   prazer em gozar,
                    em gargalhar, em chorar
                   prazer em gritar,
                              em cantar,
                   prazer em respirar,
                              em ver as estrelas, a lua, o pôr do sol, o céu,
                              o mar...
Nossa! Quanta energia de vida que por descuido,
Pode virar melancolia!
Mas talvez este seja o meu momento de
Exagerar no romantismo, de
Extravasar nas palavras, de pulsar
Cada anseio no movimento da caneta.
         Talvez seja este o momento de falar.
         Falar talvez pra ninguém escutar.
Talvez seja este o momento de rimar, de
Com as palavras jogar, como se a vida
Pudesse ser resolvida num emaranhado de letras,
Grafismos, ideias, pensamentos...
        Talvez este seja o meu momento de "viver".

Claudia Conte
Leopoldina, 11/05/1996